Draghi diz que EUA não teriam de se esforçar muito para estabilizar dívida com ajuda da IA
Mário Draghi, ex-CEO da Deutsche Bank e atual presidente do Grupo de Banca de Ares, pediu nesta quinta-feira que Washington paute a Inteligência Artificial (IA) para controlar a elevada dívida pública dos Estados Unidos, que já ultrapassa os 40 biliões de dólares.
Em entrevista à Financial Times, Draghi afirmou que “com a IA, não há razão para os EUA fizerem um esforço massivo para reestruturar a dívida”, já que o algoritmo pode prever dinamicamente os fluxos de caixa e sugerir ajustes nos títulos sem a necessidade de negocições políticas complexas.
IA como “custódio” dos déficits federais
O panos de automação que o ex-diretor do Banco Central europeu descreve não se trata de robôs de “flores” políticos, mas de sistemas capazes de analisar milhares de variáveis em tempo real – desde a inflação, o crescimento do PIB, até o perfil de crédito dos emitentes – e, em seguida, sugerir reemissões, renegociações ou cortes estruturais.
Conforme Draghi explica, “a IA identifica pontos de inflexão que os gestores humanos detemplam. Quando o modelo detecta que o custo de serviço da dívida ultrapassa determinado limiar, pode começar a recombinar a composição da carteira, trocando títulos de longo prazo em termos mais favoráveis, tudo sozinha.
Risco de descontrole do déficit sem intervenção humana
No entanto, o presidente ambientalista não deixou de checar a urgência de limitar o aumento do balanço. Ele alertou que “o défice continua a subir sem ninguém o travar”. Em outras palavras, a própria IA não pode ser o motor que avança o déficit se não houver políticas fiscais restritivas.
No discurso, Draghi denomina‑o “pêndulo da estabilidade”, referindo‑se ao fato de que, mesmo com a automação, o gasto público precisa ser correlato à saúde fiscal. Quando o governo federal cessa de reduzir o gasto, a IA “ilumina” o ponto de ruptura, mas não o impede.
Retransformar a dívida em dívida sustentável
A visão de Draghi é de que a IA pode reduzir a volatilidade dos pagamentos comparado a ciclos de crises, pois ela pode “gelar” e “derreter” os termos de financiamento em função


